quarta-feira, 6 de junho de 2012

AMOR

Amor
(Suélen Debastiani / Larissa Bruschi)

Ela não sabia o que era o amor, porém, quando foi apresentada a ele, num manhã chuvosa e fria, deu-se conta que o amor não era nada parecido com aqueles pedaços de papel escritos com sua caneta pequena. Que coisa alguma no mundo possuía tanta magia quanto aquele velho senhor.
A bela moça que conhecera o amor, tinha agora em sei peito um coração aquecido pelas chamas da paixão. Contudo, logo aprendera, que nem mesmo uma escola grande é capaz de ensina a amar.
Quando a dor e a tristeza bateram em sua porta, ela não pode as impedir de entrar. Como era boa aprendiz, sabia que no coração não era possível apagar. Tentou usar um corretivo velho, na tentativa de esquecer, entretanto sua lembrança não deixou.
O velho caderno rasgado trazia dentro de si muitos sonhos calados pelo tempo. Entre as páginas amareladas, migalhas de borracha branca se misturavam a uma flor bonita que estava presa entre as palavras. Todavia, já não era mais hora de soltá-las.
Mais uma vez as intempéries da vida a pegaram de surpresa. Jamais em seus devaneios pode imaginar perder a pessoa amada. As lágrimas já não eram suficientes para expressar sua dor. Foi fácil dizer adeus, difícil mesmo era continuar vivendo atormentada pelas reminiscências do passado. A vida não tinha mais sentido. Perdeu-se o amor, tudo ficou vazio. Cada hora era uma tortura neste mundo. O sofrimento tomou as rédeas de sua vida, e a ela restou a loucura de reviver no seu passado as lembranças incandescentes, vivas na memória do amor.
Em uma casa enorme ela morava agora. Anjos humanos vestidos de brancos entravam em seu quarto a cada hora. Ela não sabia quem eram, nem o que faziam ali. Só conseguia lembrar do que foi, um dia, o amor. A sua juventude fora levada, mas esqueceram-se do seu coração palpitante. Ao seu lado uma mesa suja de pó e abarrotada de remédios, parecia, aos olhos dela, uma mesa pronta para um jantar, como nos velhos tempos. Alguns dos anjos entravam, ela os quis convidar para o banquete, mas como mágica, tudo desapareceu. O desespero tomou o resto de sua lucidez. Estava novamente perdida, e as lágrimas, antes desprezadas, caíam do seu rosto formando poças no chão.
Um carro preto estacionou ao seu lado, o medo percorreu suas veias mais rápido que a luz, e sumiu no ar com a mesma velocidade. O olhar era o mesmo, o cheiro era inconfundível, os corações batiam novamente no mesmo ritmo. O chofer daquele carro reluzente, era o amor vindo buscar a moça. A felicidade eterna os esperava, os dois amantes partiram lado a lado para o encontro dela.